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A lenda do Violeiro Fantasma...


Reza a lenda que no norte de Minas, às margens do Rio Urucuia que foi tema do livro "Grande Sertão - Veredas" do consagrado escritor João Guimarães Rosa, nas noites de sexta-feira, próximo à meia-noite, um misterioso pirangueiro descia rio abaixo em sua canoa, ponteando sua viola em uma afinação desconhecida na região até então...

A população ribeirinha tratava de fechar as janelas de suas cabanas e se punham a rezar ao ouvir o ponteado daquela viola misteriosa... um ponteio diferente... um "toque" nunca antes ouvido que enchia aquele povo simples de pavor e admiração pois a viola sempre foi um instrumento típico do meio rural desde os tempos da colonização; Foi trazida de Portugal para o Brasil pelos primeiros colonizadores e Jesuítas que utilizavam seus acordes harmoniosos em cantigas de roda e cânticos religiosos... Não é à toa que até hoje ela é o instrumento tradicional da "folia de reis" no Sudeste, dos "desafios" entre repentistas no Nordeste e das polcas, guarâneas e raqueados do Centro-oeste... O violeiro de antigamente gosava de um certo "status" na sociedade daquela época, era convidado tanto para as festas religiosas como para os "desafios" e "arrasta-pés" do sertão... Mas naquela região do Urucuia algo de sobrenatural estava acontecendo...

Aquele "violeiro" não era deste mundo... ninguém em sã consciência desceria religiosamente nas noites de sexta-feira rio abaixo ponteando a viola naquela escuridão com tanta naturalidade e maestria... Logo boatos começaram a circular: o misterioso violeiro não era ninguém mais que o próprio "dito cujo", o "capiroto", o "tinhoso" em pessoa que descia rio abaixo à procura de violeiros com coragem suficiente para desafiá-lo... ou quem sabe à procura de moças desavisadas, apaixonados pelo ponteio da viola que até hoje "encanta" tanta gente...

E esse boato rendeu muitas "histórias e causos"... Mas o fato é que os violeiros daquela época remota acabaram "pegando de ouvido" aquela afinação e a batizaram de "afinação rio abaixo" ou "afinação do capeta" como alguns preferem... Em todas as regiões do Brasil, várias afinações foram criadas, algumas "alteradas" ou com diferentes nomes, mas nenhuma possui o "encanto e o mistério" da afinação rio abaixo. Junto com a afinação "cebolão" é uma das mais utilizadas por nossos violeiros e cantadores.

Fato curioso é que lá nos EUA muitos "guitar man" do velho "blues" americano afinam seus instrumentos (guitarras e violões) nesta afinação... E lá também não faltam histórias misteriosas como o suposto "pacto" do famoso Robert Johnson na encruzilhada... Mas isso é uma outra história...

fonte: sobrenatural.org

Ritmos que Embalam o São João


Eu vou mostrar pra vocês
como se dança o baião,
e quem quiser aprender
é só prestar atenção.

O baião é uma dança cantada, criação nordestina, resultante da fusão da dança africana com as danças dos nossos indígenas e a dos portugueses colonizadores, refletindo, na sua composição, o caldeamento dessas três raças. Anteriormente conhecido como baiano, do verbo baiar, forma popular de bailar, é uma variação rítmica do forró, geralmente entoada ao som da viola e de outros instrumentos, como a sanfona, o zabumba e o triângulo. A natureza do baião não sofreu transformação em outras regiões para onde migrou.

Essa modalidade de dança é formada dos seguintes passos: balanceio, passo de calcanhar, passo de ajoelhar e rodopio, em que damas — vestidas de chita, com babados, decotes ousados, mangas curtas e sandálias coloridas — e cavalheiros — com sandálias de couro cru, calça de brim claro e camisa comum — em pares, fazem a festa, ao som do agogô, do triângulo e da sanfona. A dança é executada com balanceios lascivos, rodopios, estalar de dedos e movimentos dos braços.
Xaxado é onomatopéia do rumor xa-xa-xa das alpercatas arrastadas no solo.

O xaxado é uma dança originária do sertão pernambucano, cujos movimentos acontecem em forma de círculos, onde os componentes se localizam um atrás do outro, levando o pé direito à frente num movimento ora ternário (três), ora quaternário (quatro) para as laterais, deslizando pelo salão num sapateado ligeiro.




Xote, maracatu e baião:
tudo isso eu trago no meu matolão.

O xote é considerado dança de salão com passos semelhantes aos da polca, que é executada ao som da sanfona nos bailes populares.




Sou um tirador de coco,
enfrento qualquer altura
com o meu rolinho de peia
amarrado na cintura.

O coco é uma dança típica das regiões praieiras e do sertão, sendo vivenciada no Norte e no Nordeste, especialmente em Alagoas por ser esse seu Estado de origem. Surgiu nos engenhos e percorreu um longo caminho até invadir os refinados salões burgueses. Recebeu uma grande influência africana e algumas marcações coreográficas dos bailados indígenas dos tupis da costa. O grupo é formado por instrumentos de percussão, bombos, ganzás ou caracaxás, pandeiros e cuícas.

Embora exista uma grande variedade de cocos, a sua coreografia e formação são básicas: uma roda de casais que cantam e dançam acompanhados pelas palmas, batidas dos pés ou tropel e pelos músicos. É também conhecido por pagode e samba e, em Pernambuco, como coco de roda. O mestre cantador, ou coqueiro, inicia a brincadeira puxando o canto com loas de improviso, os dançarinos formam a roda, respondendo ao refrão com palavras e com o sapateado típico.


Sabe quem eu sou?
Sabe quem sou eu?
Eu sou o forró.

Forró (do banto africano), forrobodó ou forrobodança significa festa, fartura de comes e bebes. Esse termo foi incorporado ao vocabulário nordestino desde o século XIX. É o maior sinônimo de São João no Nordeste. Essa palavra surgiu na imprensa, no Recife, em 1882, por Rodrigues de Carvalho e Pereira da Costa, e encaixada no Vocabulário Pernambucano com o significado de divertimento, pagodeira ou festança. As chamadas casas de forró surgiram, nos anos 1970, como local de entendimento dos migrantes nordestinos, e, assim, os festejos juninos foram tomando conta do Brasil. Hoje, o forró existe em todos os ritmos nordestinos e de outras regiões, o xote, o rojão, a dança de roda, o coco, o xaxado e o baião. O forró nordestino é nossa marca maior, uma espécie de identidade cultural brasileira.

O arrasta-pé é a marca do homem da roça, sofrido em seu pé-de-serra e durante muito tempo adormecido pela modernidade cultural. Hoje, revitalizado, glória que não se pode dar a outro, senão ao velho Lula, nosso Luiz Gonzaga, que soube tão perfeitamente cantar este Nordeste na sua língua e no manejo de seu povo.




Com a terminologia francesa, a quadrilha chegou ao Brasil: anavantur; anarrier; balancer, e, com a força da brasilidade, alguns termos foram aportuguesados, e outros, criados ou recriados: damas ao centro, é mentira, olha o túnel, olha a chuva, passeio, traveser de damas, traveser de cavalheiros, etc.

No âmbito dos festejos juninos, contamos também com a presença dos bacamarteiros, que fazem suas exibições de grande importância para o brilhantismo das comemorações juninas. Essas apresentações datam de mais de um século nas fazendas do Sertão e do Agreste pernambucanos, bem como na Paraíba e em Alagoas.

A diversão constitui-se de homens portando bacamartes, reiúnas e granadeiras que são carregadas com pólvora seca (sem projétil ou chumbo) e disparadas pelos aficionados sob as ordens de um comandante, homenageando santos padroeiros ou em cerimônias típicas e políticas.

A tradição passa de pai para filho e, na falta de um varão na família, a filha mais velha se engaja no batalhão, após o falecimento do pai, e continua a participação no grupo.

A grande motivação dessa festa é o prazer de deflagrar poderosas armas, normalmente sendo cópias de granadeiras que foram usadas na Guerra do Paraguai.



Fonte: construirnoticias.com

Origem das Festas Juninas


Origem da Festa Junina

Existem duas explicações para o termo festa junina. A primeira explica que surgiu em função das festividades ocorrem durante o mês de junho. Outra versão diz que está festa tem origem em países católicos da Europa e, portanto, seriam em homenagem a São João. No princípio, a festa era chamada de Joanina.

De acordo com historiadores, esta festividade foi trazida para o Brasil pelos portugueses, ainda durante o período colonial (época em que o Brasil foi colonizado e governado por Portugal)

Nesta época, havia uma grande influência de elementos culturais portugueses, chineses, espanhóis e franceses. Da França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas. Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, região de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. Da península Ibérica teria vindo a dança de fitas, muito comum em Portugal e na Espanha....



Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas.

Festas Juninas no Nordeste

Embora sejam comemoradas nos quatro cantos do Brasil, na região Nordeste as festas ganham uma grande expressão. O mês de junho é o momento de se fazer homenagens aos três santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antônio. Como é uma região onde a seca é um problema grave, os nordestinos aproveitam as festividades para agradecer as chuvas raras na região, que servem para manter a agricultura.

Além de alegrar o povo da região, as festas representam um importante momento econômico, pois muitos turistas visitam cidades nordestinas para acompanhar os festejos. Hotéis, comércios e clubes aumentam os lucros e geram empregos nestas cidades. Embora a maioria dos visitantes seja de brasileiros, é cada vez mais comum encontrarmos turistas europeus, asiáticos e norte-americanos que chegam ao Brasil para acompanhar de perto estas festas.

Comidas típicas

Como o mês de junho é a época da colheita do milho, grande parte dos doces, bolos e salgados, relacionados às festividades, são feitos deste alimento. Pamonha, cural, milho cozido, canjica, cuzcuz, pipoca, bolo de milho são apenas alguns exemplos.
Além das receitas com milho, também fazem parte do cardápio desta época: arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bombocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce e muito mais.

Tradições

As tradições fazem parte das comemorações. O mês de junho é marcado pelas fogueiras, que servem como centro para a famosa dança de quadrilhas. Os balões também compõem este cenário, embora cada vez mais raros em função das leis que proíbem esta prática, em função dos riscos de incêndio que representam.

No Nordeste, ainda é muito comum a formação dos grupos festeiros. Estes grupos ficam andando e cantando pelas ruas das cidades. Vão passando pelas casas, onde os moradores deixam nas janelas e portas uma grande quantidade de comidas e bebidas para serem degustadas pelos festeiros.

Já na região Sudeste são tradicionais a realização de quermesses. Estas festas populares são realizadas por igrejas, colégios, sindicatos e empresas. Possuem barraquinhas com comidas típicas e jogos para animar os visitantes. A dança da quadrilha, geralmente ocorre durante toda a quermesse.

Como Santo Antônio é considerado o santo casamenteiro, são comuns as simpatias para mulheres solteiras que querem se casar. No dia 13 de junho, as igrejas católicas distribuem o “pãozinho de Santo Antônio”. Diz a tradição que o pão bento deve ser colocado junto aos outros mantimentos da casa, para que nunca ocorra a falta. As mulheres que querem se casar, diz a tradição, devem comer deste pão.

Fonte: suapesquisa.com




Violeiros...





Gente é hora de falar um pouco sobre a gente também né? Esse post é dedicado em especial a todos que fazem parte da família VIOLA CAIPIRA...


As modas caipiras e o sagrado nasceram juntos nesta terra-de-santa-cruz. Dizem os historiadores que a viola foi trazida para cá pelos jesuítas, o que de início já lhe confere a aura beatificada. Desde os tempos primevos, encontrou guarida naquela gente nova que se miscigenava pela santíssima trindade racial: o índio, o branco e o negro. Nasceu assim, o violeiro em sua mais completa tradução, que de cedo aprendeu a fazer das folias, dos catiras, dos fandangos, dos lundus, dos pagodes, das toadas, dos cururus e dos cateretês uma ópera sertaneja ao Divino, à Mãe do Salvador e aos Santos do cotidiano.




Eles não obedecem aos paradigmas de uma

afinação universal, ou aos ensinamentos

institucionálizados, às medidas sonoras

controladas por diapasão, como na música

estudada. Sobretudo, não repetem uma melodia

escrita, porém a música que conservam por tradição

oral, sujeita portanto a todas as contingências do

improviso.

Na estrutura melódica que serve de fundo aos

cantares dos violeiros existem sobrevivências

advindas do período medieval, época do movimento

trovadoresco europeu. Esse movimento surgiu na

França e teve duas ramificações, uma no norte e

outra no sul, com os Trouvères e os Troubadours,

respectivamente.

Como referencial teológico destas dramatizadas melodias o caboclo adotou a visão do catolicismo oficial. Por outro lado, no entanto, suas epifanias sonoro-dançantes incorporaram, aos poucos, uma religiosidade que não ficava dependente da explicação racional de padres ou especialistas da fé. Um dos exemplos clássicos dessa devoção é a fervorosa, doutrinária e popular oração cantada e socializada pelos cururueiros paulistas. Música que foi recolhida por Paulo Vanzolini e que hoje faz sucesso com a Orquestra Paulistana de Viola:

Este é o primeiro verso que nesta casa eu canto Já desponta a madrugada Padre , Filho, Espírito Santo Ora viva São Gonçalo (...) Este é o segundo verso Que nesta casa eu canto Já desponta a madrugada Padre, Filho, Espírito Santo Ora viva São Gonçalo(...)

Várias outras pérolas deste gênero de manifestação religiosa chegaram até nós e hoje fazem parte do nosso cantorio. A Bandeira do Divino e Cálix Bento, músicas de domínio público, eternizadas por Ivan Lins e Milton Nascimento, são apenas dois exemplos. Som rural da mais pura cepa!
Mas a moda do violeiro tem o toque do sagrado porque sagrada é a vida do caipira. Coisa que souberam retratar Cornélio Pires e Angelino de Oliveira, pioneiros das modas fonográficas, em cenas lítero-musicais históricas. Sagrado é o chão onde o Jeca-Tatu pisa. Sagrado é o seu jeito de ser. É neste cenário que o profano se santifica e o sagrado se profaniza. Ele canta a sua maneira de levar a vida. Expressa bem esta harmonia paradisíaca a música “Meu céu” dos mineiros Zé Mulato e Xavantinho:

Armo a rede na varanda afino minha viola Sabiá canta comigo mando a tristeza embora No lugar aonde eu moro solidão não me amola Quando eu faço um ponteado a cabocla cantarola Não é o céu conforme eu aprendi Mas se Deus achar por bem Pode me deixar aqui

O povo da roça não tem esta pressa de viver que nós temos. Um amigo ilustrou bem: “Nós trabalhamos para comprar o que precisamos para viver depressa. Eles vivem basicamente para fazer o que precisam para viver com calma”. Na roça, seguindo o ritmo das estações, do riozinho e do eterno ciclo da natureza, tudo é devagar. Como devagar também é que se envelhecem e enobrecem, no tempo, os bons vinhos. Como devagar também é que envelhecem e enobrecem, no mato, as boas madeiras com as quais meu se faz boas violas.


Fonte: overmundo.com






Campo Maior



Palco da Batalha do Jenipapo, Campo Maior tem um espaço mais do que merecido no portal da Viola...

Campo Maior é um município do estado doPiauí.

Sua culinária também é bastante apreciável. A "carne de sol" é prato obrigatório e marca registrada do município. Outras comidas típicas são a Paçoca e Maria Isabel, sendo que essas apresentam o uso da Carne de Sol na preparação da comida.

Foi nesse município que ocorreu a mais violenta e única batalha sangrenta pela Independência do Brasil, a Batalha do Jenipapo Esquecida historicamente, o 13 de março de 1823 teve papel decisivo para manter a unidade territorial do país. Consistiu na luta de vaqueiros, agricultores e outros trabalhadores contra as tropas do Marechal Fidié, que cumpria ordens do Rei de Portugal, D.João VI, para que o norte do Brasil permanecesse sob o domínio português. O povo do Piauí, lutava com facões e instrumentos de trabalho , não com armas. Perderam a batalha, mas não a guerra. Depois disso, Fidié, seguiu para o Maranhão, onde foi preso

Campo Maior completou no último dia 8 de agosto de 2010, 248 anos de emancipação política

A cidade caracteriza-se pela beleza dos campos, com a presença marcante da Carnaúba (Copernicia prunifera), a qual tornou a cidade conhecida como "Terra dos Carnaubais". O Açude Grande também apresenta destaque, encantando turistas que passam pela cidade. Outros pontos turísticos são a "Serra" de Santo Antônio, a Barragem dos Corredores, o Monumento aos Heróis do Jenipapo e a Catedral de Santo Antônio

O município de Campo Maior não possui grandes elevações e as planícies predominam na bacia sedimentar do Meio Norte, sendo sua baixada no rio Longá a de maior significação, onde há zonas intercaladas de "Cuestas" com chapadas de alitudes de 150 a 300 metros na parte Leste, em que ocorre surgimento da Serra de Santo Antônio e as elevações de acesso a Castelo do Piauí e Pedro II

Banhado pelos rios Longá, Jenipapo, Surubim, Titara e Fundo, que não são perenes, e os riachos Longazinho, Pontilhão, Jatobá, Angelim, Pintadas, Camaleão, Salubre e as lagoas de Búfalo, Sucurujá, Batoque, Arraial, Tuturumbá e Olaria, o município possui dezenas de açudes e barragens, destacando-se pela sua localização privilegiada o Açude Grande, no perímetro urbano, e as barragens do Emparedado, Bananeiras, Bolqueirão, Corredores, Formiga, Surumbi e Estrela, que podem reter considerável volume de água durante os períodos normais de chuvas.Merecem destaque, tantos por suas belezas quanto para recanto de lazer e banhos, as cachoeiras - quedas d'águas - no rio Foge Homem, na fazendo Pedras Negras, do Jatobá, no rio Jatobá, do Gavião e dos Pereiras, no lugar Buritizinho, Bica do Amarante, no lugar Frutica/Macacos, e finalmente as bicas e piscinas natirais existentes na Serra de Santo Antônio

Com formação de rochas do tipo "folhelhos" na formação Longá, a espressura variada que chega a atingir cerca de 150 metros, sofre um adelgaçamento para o sul, susceptível à erosão e acidez em grandes extensões. No subsolo há grandes reservas d'água e por isso Campo Maior já conta com mais de 300 poços perfurados e atendendo diversas comunidades e fazendas

Pela determinação do clima e solo, o município possui preponderantemente a sua vegetação concentrada no cerrado em transição para caatinga, vegetação rasteira com pouca predominância de árvores. Os campos limpos - as campinas - são características muito marcantes na região e ocupando extensas áreas afiguram-se ser adequadas a pecuária e à produção de cera, matéria-prima extraída das carnaubeiras nativas, uma das principais riquezas da microrregião de Campo Maior. Na região leste, entretanto, caracterizada por solos arenp-argilosos, de matas, encontram-se inúmeras variedades de árvores frondosas como o angico preto, branco, a candeia, a faveira, a gameleira, chapadeiro, mirindiba, oiticica, jatobá, pereiro, sapucaia, umurana, entre outras.

Sua economia está baseada principalmente na atividade comercial,agricultura, pecuária e extrativismo. Concentra também um dos maiores pólos religiosos do Nordeste, contando com a Catedral deSanto Antonio, que atrai turistas para os maiores festejosCatólicos do estado,além disso a cidade dispõe de um grande potencial caprino-ovinocultor notadamente advindo da adaptabilidade das raças às condições edafoclimáticas da região.



Fonte: Wikipédia




Origem da Viola



Bom convenhamos que nada mais merecido que um post falando sobre a origem da Viola não é gente, acompanhem.

No início do século VIII, os árabes invadiram a Penísula Ibérica e muito provavelmente introduziram nessa rgião um instrumento bastante difundido entre eles, o alude. No entanto com o povo ibérico, este instrumento sofru várias modificações e mais tarde recebu o nome de "Vihuela", que teve no século XVI uma segunda fase.



Nesta época encontramos a vihuela de seis ordens de cordas usadas pelos músicos, e a vihuela de quatro ordens de cordas também chamada de "guitarra" usada pelo povo.

Como vemos a guitarra é a mesma vihuela sem a sexta e a primeira (prima) cordas. É interessante notar que esses instrumentos só possuiam dez trastes o que ocorria também na "viola meia regra" encontarda no nosso sertão.

Na segunda metade do século XVI, a guitarra substitui progressivamente a vihuela e, com a adição de uma quinta corda (adicionando-se a prima da vihuela a guitarra), o instrumento adquiriu uma categoria artística bem maior. Essa guitarra dotada de uma quinta corda teve tanto êxito, que os guitarristas de todos os países a adotaram e a denominaram "guitarra espanhola".

Em 1586 a guitarra já contava definitivamente com cinco ordens de cordas. A excessão da prima que era simples, a segunda e a terceira ordens afinadas em uníssono, a quarta e a quinta em oitavas.

Em Portugal este instrumento dotado de mais uma corda (prima), adquiriu o nome de "viola",. No século XVII, o número de cordas aumentou para 12, com a adição de 2 bordões, conservadas as ordens já existentes. No século XVIII, a transformação da guitarra espanhola em sua forma atual de cordas singelas (com o acréssimo do MI grave) fez surgir em língua portuguesa a designação decanto que se praticou até o renascimento e, ainda hoje, se conserva no canto gregoriano.

Embora o ritmo seja livre, obedece a uma lógica. Suas unidades de tempo integram-se ao esquema poético e estão preconcebidas na consciência do cantador, pela sua própria natureza intuitiva.

Durante os séculos XV e XVI na Europa, a viola foi instrumento musical popularíssimo. No século XVI esse instrumento atingiu seu explendor em Portugal, segundo se vê nos Autos de Gil Daquele país chegou ao Brasil, sendo aceito como instrumento de base para o acompanhamneto de muitos cantares folclóricos, convindo lembrar que entre os instrumentos jesuítica estava a viola apresentavam, tencionando chegar até a capital, onde entregariam ao então Ministro da Educação e Cultura um manifesto contendo várias reinvidicações, entre elas a legalização da profissão de violeiro e inclusão da poesia de cordel e da cantoria de viola nos currículos escolares dos vários níveis.




João José da Cunha Fidié



Esse é um post bastante interessante, aqui falaremos um pouco sobre aquele que representava o Império Portugues em terras piauienses, e representava também a opressão de Portugal mediante as idéias libertadoras dos piauienses, acompanhe...

João José da Cunha Fidié foi um militar português.

Com o cargo de comandante das Armas, foi enviado em 1822 à então Província do Piauí, no Brasil, por João VI de Portugal, para impedir a adesão da mesma à indepêndencia do Brasil.

Tendo desembarcado em Oeiras, então capital da Província no mesmo ano, em 1823 combatido pelas tropas locais sob o comando do brigadeiro Manoel de Sousa Martins retiou-se para Caxias, na então Província do Maranhão onde foi detido pelas tropas emancipacionistas e mandado de volta para Portugal.

Assentou praça como cadete em Janeiro de 1809 no regimento de infantaria n.º 10, tomou parte na guerra da península, assistindo às batalhas do Buçaco, Albuera, Vitória, Pirinéus, Nivelle, Nive, Orthez e Tolouse, aos sítios de Olivença e Badajoz, e a diversos combates e acções que se feriram até ao fim da campanha. Ofereceu-se depois para ir na divisão dos voluntários de el-rei a Montevideu, mas não foi admitido por ser tenente moderno. Em 1817 embarcou para o Brasil uma divisão portuguesa, e como o seu regimento não havia sido nomeado para essa expedição, trocou com um oficial de infantaria n.º 15, conseguindo assim partir para a América, onde serviu em 1817 e 1818. Foi ajudante de ordens do governador da ilha da Madeira em 1819 e 1820, sendo nomeado em Dezembro de 1821 governador das armas da província de Piáui. Voltando então de novo ao Brasil tomou posse daquele cargo em Agosto de 1822, e marchando logo para a vila de Parnaíba sustentou uma renhida luta com os partidários da independência. Chamado pelas autoridades de Caxias, foi dirigir a defesa dessa vila, mas crescendo as forças dos revoltosos ao passo que as dos defensores iam diminuindo pelas privações e pelo desalento, a praça rendeu-se e Fidié foi preso e mandado oito meses depois entre uma escolta para a cidade de Oeiras. Transferido para a Baía, passou ao Rio de Janeiro onde ficou encarcerado na fortaleza da Vila Ganhão, até que D. Pedro lhe deu liberdade, permitindo-lhe que regressasse a Portugal. Em 1825 foi nomeado primeiro comandante do Real Colégio Militar, e por vezes durante a ausência do director, ficou encarregado da direcção deste estabelecimento até que, saindo de Lisboa e apresentando-se no Porto ao duque de Bragança, foi por ele nomeado subdirector do arsenal daquela cidade. Regressando depois a Lisboa, foi director efectivo do Colégio Militar desde 183 7 a 1848, ano em que teve a sua exoneração, reformando-se em 1854 no posto de tenente-general.

Escreveu: Breves esclarecimentos acerca do Collegio Militar, oferecidos ás Côrtes, Lisboa, 1843; Varia fortuna de um soldado portuguez; é uma memória de interesse pessoal, e comprovativa das preterições que alegava ter sofrido no acesso a postos superiores.

Nasceu em finais do século XVIII. Morreu em 1856. Tenente-general reformado, comendador da ordem de Avis, director do Real Colégio Militar.

Acompanhe abaixo o comentário do Historiador, professor e membro da Academia de Letras do Piauí, Fonseca Neto fala sobre a Batalha de Jenipapo, onde o vencedor perdeu...





Fonte: wikipédia e portal cidade verde

A Batalha do Jenipapo


A Batalha do Jenipapo ocorreu às margens do riacho de mesmo nome no dia 13 de março de 1823, a qual foi decisiva para a Independência do Brasil e consolidação do território nacional. Consistiu na luta de piauienses, maranhenses e cearenses contra as tropas do Major João José da Cunha Fidié, que era o comandante das tropas portuguesas, encarregadas de manter o norte da ex-colônia fiel à Coroa Portuguesa. Ressalta-se que os brasileiros lutaram com instrumentos simples, não com armas de guerra, não tinham experiência; ou seja, mesmo sabendo da condição de luta, eles partiram para o combate. Perderam a batalha, mas fizeram com que a tropa desviasse seu destino. Caso o Major continuasse a marchar para Oeiras, então capital, talvez não encontrasse resistência e cumpriria com seu objetivo. Foi uma das mais marcantes e sangrentas Batalhas travadas na guerra da independência do Brasil.

Piauí era visto como Portugal em plena caatinga

Do outro lado, Piauí, Maranhão, Pará, Mato Grosso e Goiás deviam obediência e lealdade a Portugal. O Piauí compunha a nação portuguesa. Era uma espécie de Portugal em plena caatinga piauiense. Oeiras, a capital imperial do Piauí, era infestada de portugueses que queriam a todo custo ficar com a parte mais rica do Brasil.

Assim, dividido entre as pretensões dos brasileiros que queriam a independência e a dos portugueses que desejavam continuar com a política colonialista, D. Pedro I, no dia 7 de setembro de 1822, às margens do Riacho Ipiranga, arrancou os laços que uniam o Brasil a Portugal com o grito “Independência ou Morte”. No Piauí, a noticia chegou no dia 30 de setembro.

Com a independência brasileira levada a efeito em São Paulo, Portugal voltou-se para a parte mais rica da nação, que era o Norte. E foi justamente para efetivar essa posse que os portugueses mandaram para o Piauí o oficial graduado João José da Cunha Fidié , que chegou em Oeiras no segundo semestre de 1822.

A presença militar lusitana em terras piauienses, entretanto, não intimidou o animo emancipador dos mafrenses. A independência caminhava lenta e gradualmente, mas com passos firmes e decisivos rumo à liberdade.

O confronto

A população de Campo Maior, ao saber que Fidié vinha de Parnaíba com destino a Oeiras e passaria ali, se mobilizou com intuito de impedi-lo de continuar viagem.

Na noite de 12 de março, os homens da cidade e das redondezas foram arregimentados. Todos queriam lutar para livrar o Piauí do domínio português. As mulheres estimularam os seus maridos, parentes e amigos, arrumaram o que puderam, venderam suas jóias; todos estavam empenhados a se unirem em só ideal: lutar.

O amanhecer do dia 13 de março de 1823 prenunciava um dia claro, com poucas nuvens e muito calor. Era um ano em que a seca castigava a nordestino.

Ao sinal de comando, todos os homens se reuniram em frente à Igreja de Santo Antônio. Os combatentes piauienses e cearenses não vestiam fardas. Na saída da cidade, para encontrar-se com Fidié, houve uma apresentação com a banda de música na qual houve um desfile militar. A massa de combatentes que iam lutar pelo Brasil saiu exultante ao som dos tambores. Mesmo sem acertarem os passos eles levavam consigo a chama da liberdade queimando no peito. A certeza da morte não tirou o ânimo dos que iam morrer pela pátria. Cerca de dois mil homens marcharam para o combate. As armas que eles usaram foram espadas velhas, chuços, machados, facas e foices, paus e pedras e algumas espingardas usadas.

Sem nenhuma experiência em guerras, os piauienses chegaram às margens do Rio Jenipapo , de onde pretendiam impedir a passagem de Fidié. Como o riacho estava quase seco, a maioria dos patriotas ocultou-se no próprio leito do riacho, enquanto a outra parte se escondeu nas moitas de mato ralo perto da ribanceira. E ficaram esperando o exercito português, que, com certeza, tinha de passar por ali. De onde estavam dava para ver quando os portugueses se aproximassem do palco da luta porque o terreno era bem plano, com várzeas imensas, abertas sem amparo algum.O povo com espírito de tornar-se independente estava entrincheirado e sabiam que à frente deles havia uma estrada que se dividia em duas, uma pela direita e outra pela esquerda. Só que estavam em dúvidas em qual dos caminhos vinha Fidié. Logo após às oito horas, o capitão Rodrigues Chaves mandou uma patrulha sondar o lugar onde seria travada a batalha. Fidié ao chegar no local onde a estrada se dividia resolveu mandar uma metade do exercito por um lado e outra metade pelo outro lado. Ele foi junto com uma das metades pela esquerda e a cavalaria foi pela direita. Os independentes, sem saber da divisão que Fidié tinha feito no seu contigente, foram pela estrada da direita encontrando-se com a cavalaria portuguesa, sendo surpreendidos. Os mesmos avançaram bravamente contra a cavalaria. Os portugueses espantaram-se com a coragem e com a bravura dos piauienses, onde eles acabaram recuando. Neste momento os piauienses perseguiram os portugueses estrada adentro.

Os combatentes piauienses, ouvindo o tiroteio, acharam que o confronto havia começado. Saíram das trincheiras na qual utilizavam como posição defensiva e precitadamente foram pela estrada da direita atrás do inimigo, só que as tropas portuguesas não se encontravam mais ali.

Fidié ao saber do ocorrido atravessou o rio Jenipapo pela estrada da esquerda, construiu de forma apressada umas barricadas, distribuiu o armamento pesado, organizou os atiradores em posição de frente de combate (em linha) nas trincheiras onde antes estavam os piauienses e esperou que eles voltassem para lá. Antes os piauienses estavam em posição favorável agora tudo se reverteu.

Quando os piauienses viram a situação adversa só encontraram uma alternativa, atacar Fidé ao mesmo tempo e em todas as direções ao longo das margens do rio. No primeiro instante do combate houve muitas baixas por parte dos piauienses. Dezenas de corpos caíram pelas balas do exercito português. Os poucos que conseguiram atravessar a linha de fogo deram o último suspiro à boca dos canhões, com grande destemor não temendo nada contra a vida e sim pela pátria em tremenda representação de amor pela mesma. Com essa demonstração de amor pela pátria e de bravura que os piauienses tinham, fez com que os portugueses ficassem assustados, devido eles nunca terem visto tanta audácia em nenhum lugar do mundo.

Os sucessivos ataques dos piauienses tinha como resultado muitos mortos pelo chão. A fuzilaria e os tiros de canhão dos portugueses varriam o campo de luta de um lado para o outro. Os que conseguiam passar pelo bloqueio de fogo conseguiam lutar corpo a corpo com os portugueses.

No meio-dia, os piauienses estavam cansados e certos de que não venceriam os portugueses, neste momento já não lutavam mais se rastejavam ao encontro com a morte.

Às duas horas da tarde, depois de cinco horas de combate, os libertadores retiraram-se em desordem, deixando 542 prisioneiros, 200 mortos e feridos, Fidié, que cujas perdas foram estimadas em 116 mortos e 60 feridos, estacionou na fazenda Tombador, à cerca de um quilômetro de Campo Maior. Fidié e seu exército caiam de cansaço. O sol

escaldante e o medo da valentia dos piauienses não permitiram que as tropas portuguesas os perseguissem, mesmo sabendo que já tinham derrotado a eles. Os cearenses do Capitão Nereu na hora da retirada levaram a maior parte da bagagem dos portugueses, composta de comida, água, algumas armas e até mesmo um pequeno tesouro que Fidié trazia do saque que havia feito na cidade de Parnaíba.

Fidié passou dois dias na cidade de Campo Maior enterrando os seus mortos. No dia 16 de março de 1823, saiu da cidade indo para o Estanhado.

Meses depois Fidié foi preso em Caxias, no Maranhão, de lá levado para Oeiras de onde foi mandado para o Rio de Janeiro. Do Rio ele foi mandado de volta para Portugal, onde foi recebido com honras militares pelos serviços prestados à Coroa Portuguesa. Entre os títulos recebeu o de comendador da Ordem de Avis, a mais antiga condecoração militar portuguesa, fundada por Afonso Henriques em 1162. Só recebia essa comenda o soldado que demonstrasse extrema valentia, ousadia e coragem. No local onde houve a Batalha foi erguido um Monumento em memória aos piauienses que ali morreram pela independência de nosso país. Situado à margem esquerda do rio é, na verdade, um grande atrativo turístico e no local também se encontra uma parte do acervo bélico usado pelos combatentes. Essas peças pertenciam ao antigo Museu do Couro que para lá foi transferido.

fonte:wikipédia



Fogueiras




De origem européia, as fogueiras juninas fazem parte da antiga tradição pagã de celebrar o solstício de verão. Assim como a cristianização da árvore pagã "sempre verde" em árvore de natal, a fogueira do dia de "Midsummer" (24 de Junho) tornou-se, pouco a pouco na Idade Média, um atributo da festa de São João Batista, o santo celebrado nesse mesmo dia. Ainda hoje, a fogueira de São João é o traço comum que une todas as festas de São João européias (da Estônia a Portugal, da Finlândia à França). Estas celebrações estão ligadas às Fogueiras da Páscoa e às Fogueiras de Natal.

Uma lenda católica cristianizando a fogueira pagã estival afirma que o antigo costume de acender fogueiras no começo do verão europeu tinha suas raízes em um acordo feito pelas primas Maria e Isabel. Para avisar Maria sobre o nascimento de São João Batista e assim ter seu auxílio após o parto, Isabel teria de acender uma fogueira sobre um monte.

As fogueiras juninas merecem uma consideração à parte. A de Santo Antonio é quadrada. A de São João, redonda. A de São Pedro, triangular.

O festeiro escolhido para comandar os festejos de qualquer um dos santos de junho deve escolher um bom Capitão de Mastro e um bom Alferes de bandeira, os quais organizarão a fogueira, tratarão da implantação do mastro para a bandeira e mandarão confeccionar (onde ainda não existir) a própria bandeira.


Fonte: wikipedia e rosanevolpatto



Rei do Cangaço



No século XVII, ocorreu o deslocamento do centro da economia para o sul. O sertão nordestino já castigado pelo flagelo das secas prolongadas, vê agravar-se as desigualdades sociais. Neste panorama visualiza-se a figura do coronel, detentor de todo o poder e lei da região que considerava-se senhorio. A existência de constantes conflitos devido à posses e limites geográficos entre as fazendas, além das rivalidades políticas, fizeram com que estes senhores feudais, procurassem cercar-se do maior número de jagunços (vassalos dos coronéis) e cabras, necessários para defender seus interesses. Deste modo, se criaram verdadeiros exércitos particulares e verdadeiras guerras foram travadas entre famílias. Este quadro, como vemos, foi propício para o aparecimento do banditismos.

No final do Império e em seguida a grande seca de 1877-1879, a miséria e a violência eram crescente, o que viabilizou, em face da luta pela própria sobrevivência, o surgimento dos primeiros bandos armados independentes do controle dos grandes fazendeiros. Nesta época, destacavam-se os bandos de Inocêncio Vermelho e de João Calangro.

O cangaço, entretanto, só toma vulto na República, com a figura de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

LAMPIÃO, HERÓI OU BANDIDO? COM CERTEZA, UM MITO.

Virgulino nasceu no dia 04 de junho de 1898, no Sítio Passagem das Pedras, na Serra Vermelha, atual Serra Talhada, no estado de Pernambuco. Seus pais eram José Ferreira e Maria Sulena da Purificação e ele era o terceiro filho do casal.



Ele foi batizado aos três meses de nascido, na capela do povoado de São Francisco, sendo seus padrinhos os avós maternos: Manuel Pedro Lopes e D. Maria Jacosa Vieira. A cerimônia foi oficiada por Padre Quincas, que profetizou:


- "Virgulino - explicou o padre - vem de vírgula, quer dizer, pausa, parada." E arregalando os olhos: - "Quem sabe, o sertão inteiro e talvez o mundo vão parar de admiração por ele".

O bando do mais temido dos cangaceiros, entrava cantando nas cidades e vilarejos. Com chapelões em forma de meia lua ricamente ornamentados com moedas de ouro e prata e roupas de couro, os bandidos chegavam a pé e pediam dinheiro, comida e apoio. Se a população negasse, a cantiga cedia lugar à marcha fúnebre: crianças eram seqüestradas, mulheres violentadas e homens, rasgados a punhal. Mas, caso os pedidos fossem atendidos, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, organizava um baile e distribuía esmolas.

Na manhã seguinte, antes que os soldados da volante viessem, o bando partia em fila indiana, todos pisando na mesma pegada. O último ia de costas, apagando o rastro com uma folhagem.

Foi assim por quase três décadas. Vagando por sete Estados, Virgulino semeava terror e morte no sertão. O fracasso das operações preparadas para capturá-lo e as recompensas oferecidas a quem o matasse só aumentaram a sua fama. Admirado pela sua valentia, o facínora acabou convertido em herói. Em 1931, o jornal New York Times chegou a apresentá-lo como um ROBIN HOOD DA CAATINGA, que roubava dos ricos para dar aos pobres. O próprio Lampião, era tão vaidoso, a ponto de só usar perfume francês e de distribuir cartões de visita com sua foto. Gostava também, de entrar nos povoados atirando moedas.

Fisicamente, Lampião era um homem de 1,70 m de altura, amulatado, corpulento e cego de um olho. Adorava adornar seus dedos com anéis e usava no pescoço lenços de cores berrantes, preso por valioso anel de doutor em Direito.

Era, porém, um bandido sanguinário. Durante suas andanças, arrancou olhos, cortou línguas, e decepou orelhas. Castrou um homem dizendo que ele precisava engordar. Moças que usassem cabelos ou vestidos curtos ele punia marcando o rosto a ferro quente. Em Bonito de Santa Fé, em 1923, deu início ao estupro coletivo da mulher do delegado. Vinte e cinco homens participaram da violação.

Apesar de suas atrocidades, era religioso e trazia sempre no bornal um rosário e uma imagem de Nossa Senhora da Conceição.

A sua sanha assassina foi despertada em 1915. Virgulino contava com 18 anos quando um coronel inimigo encomendou a morte de seus pais.

- "Vou matar até morrer" - prometeu ele, cheio de ódio e desejo de vingança.

Alistou-se em um bando de cangaceiros e foi logo promovido a líder. Envolveu-se em cerca de 200 combates com as "volantes", que resultaram em um milhar de mortes. As "volantes" eram constituídas de "cabras" ou "capangas" que eram familiarizados com o sertão. Elas acabaram tornando-se mais temidas pela população do que os próprios cangaceiros, pois além de se utilizarem da violência, possuíam o respaldo do governo.

O célebre apelido, recebeu depois de iluminar a noite com tiros de espingarda para que um companheiro achasse um cigarro.

Em Juazeiro 1926, Lampião recebe do Governo a patente de Capitão honorário das forças legais, além de doação de armamento e munição para combater a Coluna Prestes. Vaidosamente, ostentou esta falsa patente até a sua morte.

Existem duas teorias para a morte de Lampião.

Em 1938 ele faz uma incursão ao agreste alagoano e esconde-se a seguir, em sua fortaleza, na Grota de Angico, no município de Porto da Folha, em Sergipe.

A polícia militar alagoana foi informada de seu esconderijo e organizou uma volante comandada pelo Tenente João Bezerra da Silva, juntamente com o Sargento Ancieto Rodrigues, portando metralhadoras portáteis, para caçá-lo.

As 4 horas da madrugada de 28 de julho de 1938, efetuaram a emboscada, que não durou mais de vinte minutos. Aproximadamente 40 cangaceiros conseguiram fugir. Lampião e 10 outros pereceram.

Após o ataque, um soldado aparece segurando pelos cabelos a cabeça cortada de Virgulino. Bezerra quis saber o motivo da macabra exibição.

-"Se não levarmos a cabeça, o povo nunca vai acreditar que liquidamos Lampião", respondeu o soldado.

Onze cangaceiros tiveram suas cabeças cortadas. Maria Bonita foi degolada ainda viva.

Morre Lampião, mas eterniza-se seu mito. Sucumbiu com ele o cangaço.

Uma semana depois do massacre de Angicos, o Corisco, o "Diabo Louro", que havia se separado de Lampião, constituindo um bando à parte, desfechou ataques fulminantes sobre cidades à margem do

rio São Francisco como vingança pela morte de seu amigo. Enviou algumas cabeças cortadas ao prefeito do povoado de Piranhas, com um bilhete: "Se o negócio é de cabeças, vou mandar em quantidade".


Maria Bonita

Maria Gomes de Oliveira, foi a primeira mulher a aparecer no cenário do cangaço. Nascida em 8 de março de 1911 (Data do dia Internacional da Mulher) em uma fazenda em Santa Brígida, na Bahia. Era filha de José Felipe de Oliveira e Maria Joaquina Déia. Tinha 11 irmãos.
Ela casou-se aos 15 anos com um sapateiro, com quem vivia às turras. Durante uma das separações de seu marido, o que era constante, Maria Bonita conheceu Lampião e apaixonou-se. Lampião, nesta época, tinha quase 33 anos e Maria pouco mais de 20. Esta paixão desenfreada os uniu até a morte.
Ela entrou para o bando ao final de 1930. Tiveram uma única filha, Expedita Ferreira,
nascida em 1932, única sobrevivente das quatro gestações de Maria Bonita,que foi criada anonimamente por coiteiros.

Em alguns momentos, a intervenção de Maria Bonita impediu vários atos de crueldade de Lampião.

Maria Bonita era a Musa e a Rainha do Cangaço e ocupava-se entre outras coisas de costurar a indumentária dos cangaceiros. Depois dela, os outros cangaceiros também trouxeram suas companheiras para fazerem parte do bando. Dizem que elas participavam de todas as atividades, inclusive dos combates. Se destacaram: Dadá, esposa de Corisco, Lídia, mulher de Zé Baiano e outra Maria, mulher de Pancada.

Lampião e Maria Bonita, formaram o casal mais unido e temido do sertão.


Fonte: www.rosanevolpatto.trd.br